sexta-feira, 17 de junho de 2011

Professor que atingir meta terá bônus

A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo vai dar, a partir do ano que vem, bônus para todos os profissionais do magistério que atingirem a meta na prova de mérito. Hoje, mesmo atingindo a meta, apenas 20% deles são promovidos. Além disso, a pasta não vai mais utilizar apenas a prova para conceder o mérito - outros indicadores, que ainda estão em discussão, devem contar para o docente progredir.

Essas mudanças constam na nova lei do plano de carreira e política salarial, assinada na noite de hoje pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que deve ser publicada amanhã no Diário Oficial.

Com os novos critérios, um professor de PEB II de uma jornada de 40 horas semanais, no estágio máximo da carreira, vai conseguir um acréscimo de 183,05% no salário, segundo a secretaria. Atualmente, o professor consegue até 143, 12% - isso se ele estiver dentro dos 20% que recebem o bônus.

Hoje, um docente pode avançar em dois eixos: vertical e horizontal. O eixo vertical é a promoção por mérito, que ocorre por meio da prova, e tem cinco níveis. A cada "salto" que o professor dá com a prova, apenas 20% deles tinham um aumento de 25% em cima de seu salário-base.

Agora, serão oito níveis de carreira - ou seja, ele fará mais avaliações - e o aumento será de 10,5% em cima do salário anterior. Ou seja, ele vai acumulando os acréscimos. O máximo a ser atingido será de 101,16%.

sábado, 4 de junho de 2011

Bombeiros Manifestantes são encaminhados para batalhão

Em ônibus da Polícia Militar, os bombeiros manifestantes começaram a deixar o quartel Central do Corpo de Bombeiros, no Centro do Rio, às 8h deste sábado (4), levados pelos policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), para o Batalhão de Choque da PM, também no Centro. A PM irá fazer uma triagem com os bomeiros. Segundo o comandante-geral da Polícia Militar, Mário Sérgio Duarte, todos os manifestantes estão presos.

Por volta das 7h40, os policiais anunciaram aos bombeiros que levariam alguns deles. Em resposta, os manifestantes disseram que só sairiam dali se todos fossem juntos. Os mais de 2 mil bombeiros, então, se levantaram e foram encaminhados para o batalhão. Os manifestantes cantaram o hino da corporação e alguns estavam chorando.

A tropa de Choque da Polícia Militar e também policiais do Bope invadiram, na manhã deste sábado, o quartel do Centro, ocupado pelos bombeiros na noite da véspera, numa manifestação por melhores salários e condições de trabalho. Algumas ruas do Centro da cidade estão fechada nesta manhã. O bairro está policiado com PMs e guardas municipais.

Para entrar no complexo, por volta de 6h10, os policiais usaram bombas de efeito moral e bombás de gás lacrimogêneo. Pelo menos duas crianças sofreram intoxicação devido ao gás e dois adultos tiveram ferimentos leves na cabeça, por conta das bombas de efeito moral que foram lançadas pelo Bope. Todos estão sendo atendidos no posto no interior do quartel.

Antes da entrada dos PMs, diversas bombas de efeito moral foram lançadas para dentro do quartel. Algumas atingiram a cozinha do complexo, onde havia crianças e mulheres. As explosões causaram pânico no local. Ninguém que estava na ala ficou ferido.


Tiros de fuzil
Após a entrada dos policiais, pelo menos oito cápsulas de fuzil 762 foram encontradas espalhadas no pátio do Quartel Central. Segundo os bombeiros, os disparos partiram dos policiais militares. O comandante-geral da PM, Mário Sérgio Duarte, confirmou que alguns tiros foram disparados para o alto pelos policiais militares.

Esposa de um bombeiro, Kelly Richter, de 26 anos, encontrou uma das cápsulas perto das viaturas da corporação. Ela disse que estava na cozinha com outras mulheres e crianças quando houve a invasão. "A gente tinha ido para lá porque lá era então o lugar mais seguro, mas de repente os policiais começaram a lançar as bombas e muita gente passou mal", disse ela.

Sobre este episódio, o comandante Mário Sérgio Duarte afirmou que os policiais sabia da existência de crianças e mulheres no local, mas não dava para prevê em qual ala elas se encontravam.

Segundo ele, a operação foi planejada para que ocorresse de forma segura e sem feridos: "A resistência foi muito grande. Nós usamos a força, mas não queríamos usar. Em nossa parte não pensamos em 'banho de sangue'. Nós tínhamos a esperança deles se entregarem, sem essa circunstância, mas infelizmente isso não aconteceu. Mesmo assim, considero essa operação satisfatória, porque não teve feridos graves, essa era uma grande preocupação", disse.


Clima tenso

O clima já era tenso no início da manhã deste sábado no Quartel Central. Desde 19h30 de sexta (3), bombeiros ocuparam o pátio e as dependências do complexo. Mulheres e até crianças se uniram a oficiais numa passeata que começou em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e que passou pelas principais avenidas do Centro.

O cabo Benevenuto Daciolo, porta-voz do movimento, explicou que entre as reivindicações estão piso salarial líquido no valor de R$ 2 mil e vale-transporte. Segundo ele, a manifestação era pacífica.

“Nós temos o pior salário da categoria no país, que é de R$ 950. Estamos há dois meses tentando negociar com o governo, mas até agora não obtivemos resposta. Nosso movimento é de paz e estamos em busca da dignidade. Não vamos recuar até que haja uma solução. Queremos um acordo, queremos que o governador se pronuncie”, disse o porta-voz.







O comandante do Batalhão de Choque, coronel Waldir Soares, sofreu fratura em uma das mãos e teve o joelho lesionado durante a invasão dos manifestantes. As informações foram confirmadas pela Polícia Militar (PM). Segundo a PM, ainda não há informações sobre quem seja o responsável pelas agressões.

Após a invasão e durante a madrugada, os manifestantes se alimentaram com o estoque de comida da cozinha do quartel. Eles consumiram pães, queijos, frutas e sucos. Os militares chegaram a fazer uma fila no pátio para receber a sua alimentação.

Discurso do comandante da PM
Na tentativa de convencer os mais de 2 mil bombeiros a deixarem o Quartel Central, o comandante-geral da Polícia Militar (PM), Mário Sérgio Duarte, afirmou na madrugada deste sábado, durante discurso aos manifestantes, que o momento é de reflexão. Mas foi justamente após a fala do militar que o clima voltou a ficar tenso no complexo invadido.




Por volta de 2h50, Duarte subiu num carro e, diante dos manifestantes, pediu para que todos retornassem para casa. “É primeira vez que venho aqui numa situação inusitada. Sou apenas um homem diferente, mas eu tenho a força dos meus e quero ter a dos seus. Nós precisamos resolver esse dilema, embora isso não signifique rendição para ninguém. Tenho certeza que nenhum de nós vai usar a força. Gostaria que as senhoras e os senhores refletissem. A minha proposta é que retornem para suas casas”, disse o comandante.

Durante a fala, que durou cerca de 20 minutos, o comandante foi interrompido por gritos e cantos dos manifestantes, que repetiam: “nem um passo daremos atrás”. Diante da resistência, o comandante ressaltou que não pretendia usar a força e afirmou estar diante do melhor Corpo de Bombeiros do Brasil.

“Mais uma vez peço vocês sentem e conversem sobre isso. Eu não estou propondo derrotados nem vitoriosos”, completou Duarte.

Em seguida, o cabo Daciolo, porta-voz do movimento, disse que havia 50 homens armados entre eles. “Nós temos essa casa (quartel) como nosso lar. E enxergamos o comandante-geral como nosso pai. Mas nós temos que pagar aluguel, compras, remédios. Aqui tem mulheres, homens de bem e famílias inteiras. Por favor, coronel, não permita que o mal aconteça”, pediu Daciolo.

Segundo Daciolo, participam do protesto bombeiros de quartéis de todo o estado. Ele informou ainda que as praias devem amanhecer sem guarda-vidas neste sábado.