Não quero comentar em detalhes a verdadeira tragédia em Realengo. Que aquelas tristes famílias possam sofrer em paz o luto de suas perdas, longe do oportunismo dos abutres de sempre. Apenas destaco que é abominável ver certos “especialistas” tentando culpar A, B ou C pelo crime bárbaro. Uma psicóloga chegou a colocar a culpa do “bullying”, modismo do momento. Outros condenam as armas, ignorando que o Estatuto do Desarmamento já completou sete anos de vida, e só não retirou as armas dos bandidos ou assassinos. Alguns adoram condenar a “cultura”, especialmente quando o atentado se passa nos Estados Unidos.
Mas crimes como este já ocorreram nos Estados Unidos, na Escócia, em Israel, na China, e até na pacata Finlândia, mais de uma vez. Maluco é maluco, e os demais fatores podem, no máximo, fornecer o contexto. Não vamos apelar para o reducionismo ou culpar um fator específico qualquer. Somos obrigados a conviver num mundo em que barbaridades como esta podem ocorrer, sem uma causa aparente ou simples, e sem uma garantia segura para evitá-la.
Desde que o homem é homem, alguns demonstram quão monstruosa a espécie pode ser. O fato de tais atos produzirem profundo choque e consternação na imensa maioria, entretanto, nos dá alguma esperança no futuro. Mas sempre conviveremos com esses tais monstros entre nós. Eis um fato, por mais lamentável que seja.
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